HUGO (A invenção de Hugo Cabret)





A sinopse dizia: “Quando descobre um segredo deixado por seu pai, o esperto e criativo Hugo revela um mistério e inicia uma missão que vai transformar todos os que estão ao seu redor, até chegar a um lugar adorável que vai se tornar seu lar”. Bom, até aí nada demais, principalmente quando se vê duas crianças como protagonistas. Porém,

quando se lê que a direção é de Martin Scorsese, que também divide a produção com Johnny Deep, sem contar ser o recordista de indicações para o Oscar 2012 com 11 e levando 5 estatuetas (Melhor Efeito Visual, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Mixagem de Som e Melhor efeito de Som), você se sente obrigado a pegar o Blu-Ray. Confesso que não me arrependo nem um pouco de assisti-lo!

Diferente do que dizia a indicação do filme, como sendo uma “Aventura”, considero o filme um “Drama” com requintes de Aventura. O roteiro foi muito bem adaptado do livro americano The Invention of Hugo Cabret, de Brian Selznick (por isso o nome no Brasil ficou A Invenção de Hugo Cabret, enquanto nos Estados Unidos ficou simplesmente Hugo), pelo John Logan (que também roteirizou Gladiador e O Aviador). Aos poucos você acaba percebendo que o filme te entrega um enredo principal que se torna uma maravilhosa homenagem ao início do cinema e a ideia de fábrica de sonhos; mas também se reparte em outros enredos menores e voltados para problemas e dilemas pessoais dos personagens, tidos como secundários, mas que enriquecem muito a experiência do filme.
Hugo tem que ser assistido por uma ótica um pouco diferente da acostumada pela maioria: o filme não te fará chorar, não te fará perder o folego, pois ele não foi produzido para isso; Martin Scorsese criou uma obra de arte, algo quase que teatral, com a preocupação nos mínimos detalhes. Visualmente, o filme é maravilhoso, incrível, transmitindo uma Paris muito viva. A ideia era realmente passar uma cinematografia à moda antiga, preocupada com o visual, o som e os detalhes de forma magistral, pois o detalhe do filme todo foi mixado com um fundo de musica clássica que casa perfeitamente com a intensidade da imagem.
As atuações não são brilhantes, mas Scorsese como sempre consegue tirar o necessário dos seus atores (Sacha Baron Cohen do filme Borat, está irreconhecível e muito bom em uma atuação mais séria), além de participações de Johnny Depp e Jude Law, que dão um toque ainda mais especial ao filme.
A história principal não vai te surpreender, na verdade será fácil imaginar o próximo passo dela, mas os enredos menores e pessoais dão um toque especial numa obra visual e sonoramente perfeita, uma produção que vale a pena separar duas horas da sua vida para vê-la, com a cabeça aberta para sentar e apreciar. Você não irá se empolgar: irá se encantar! 
Escrito por: Ricardo