Estreias de heróis americanos (sobrenaturais ou não).




Escrito por Rodrigo Basso.
      Na última semana, dois pilotos de séries vieram ao ar: Arrow, esperada adaptação de Arqueiro Verde, realizada pela consagrada Warner; e Chicago Fire, série que retrata a o cotidiano dos bombeiros da cidade de Chicago, dirigida por Dick Wolf (Law&Order) e produzida pela NBC. Ambas tiveram uma aguardada estréia na TV americana, seja pelo anseio dos fãs de HQ, seja pela confiança na franquia.
      Stephen Amell protagoniza Oliver Queen em Arrow, encarnando o arqueiro de capuz verde que atua como justiceiro em sua cidade. O episódio-piloto mostra o nascimento do herói após o trágico acidente de iate o qual o prende numa ilha deserta por cinco anos. Após ser dado como morto, ele é resgatado e retorna para sua cidade, decidido a punir todos os que participavam de um esquema corrupto com seu pai, que confessa todos os nomes em seu leito de morte. Todos os clichês dos quadrinhos estão aqui: o amigo descontraído que conhece o segredo (SideKick), a antiga paixão que ele afasta para não por em perigo, a vingança para corrigir erros do passado, a sombra do parente próximo morto que o impulsiona a continuar, o herói com habilidades quase sobrenaturais etc.
      Muito se especulou sobre a “darknalização” dessa série, aproveitando o sucesso alcançado pela
nova produção de Batman para o cinema, do diretor Chistopher Nolan. Apesar da proximidade entre o Arqueiro Verde de Arrow e o Batman de Batman Begins (ambos playboys que, após a morte do pai, passam sozinhos por grandes dificuldades durantes anos, para depois ressurgir e assumir os negócios da família, além de identidades secretas de vigilantes enquanto fingem ser os mesmos riquinhos de antigamente), o clima sombrio não foi atingido no piloto da série. Citando o Eduardo da equipe Covil Geek, “está mais para SmallVille do que para o Batman de Nolan”. Corroborando a impressão do Eduardo, o diretor do piloto de Arrow é o mesmo de SmallVille, David Nutter.
      A trama principal apresentada é salvar a cidade dos corruptos financeiros que estão sugando toda a cidade, atuando como uma espécie de Hobin Wood moderno, contando com uma lista de nomes que o protagonista vai riscando conforme cumpre o objetivo. As subtramas são apresentadas superficialmente, sem causar um grande impacto: os augúrios da identidade secreta, a irmã caçula problemática, a mãe que se casou novamente e está na lista do Arqueiro Verde, as pessoas que estão magoadas/felizes com a volta de Oliver. No entanto, a subtrama de Oliver com sua antiga namorada foi tratada numa velocidade frenética, passando da raiva-para perdão-para retorno-para afastamento, tudo em 25 minutos, não convencendo o público. Espera-se que não seja outra série genérica de super-herói.
      Chicago Fire lançou um episódio-piloto de peso, contando com um elenco conhecido dos fãs de séries americanas: Jesse Spencer (House), Eamonn Walker (contando com mais de 20 participações em séries), Monica Raymond (Lie to Me), David Eigenberg (Sexy and the City, e muitas participações em outras séries), além de Taylor Kinne (Vampire Diaries). A atuação de todos está muito consistente, descaracterizando seus antigos personagens em outras séries.
      A série retrata o cotidiano da Brigada 81 de Chicago, que lida com o combate ao incêndio, resgate de vítimas e atendimento de emergência. O série foca em três equipes: a que comanda do caminhão de bombeiros, responsável pela chegada ao local, cerco do perímetro e combate ao incêndio, liderada pelo Tenente Casey (Jesse Spencer); o esquadrão responsável pela busca de vítimas, seja em prédios, acidentes de trânsito ou mesmo em rios e lagos, liderado pelo Tenente Severide (Taylor Kinne); e a equipe paramédica, na qual participa Gabriella Dawson (Monica Raymund). Todos são subordinados do “Chief” Wallace Boden (Eamonn Walker), chefe durão e compreensivo, que impõe respeito e ordem em toda a Brigada.
      A trama gira em torno da briga entre Casey e Severide devido as decisões tomadas, por ambos, que resultaram (ou não) na morte de um companheiro e as decisões tomadas pela equipe paramédica para entregar  as vítimas vivas ao hospital. Em suma, a trama trata das decisões que estes profissionais tomam para salvar as vidas dos cidadãos de Chicago. Os bombeiros são tratados como verdadeiros heróis pelos americanos, principalmente depois dos atentados de 11 de Setembro. As subtramas tratam da relação de Casey com sua noiva(?), a entrada do novato na equipe e o uso de medicamentos por Severide. No piloto da série, o ambiente de brigas e camaradagens entre os combatentes do fogo é retratado de maneira bem convincente, superando as expectativas, restando aguardar que a qualidade se mantenha nos próximos episódios.