Cinetevê: Transcendence – A Revolução




por Ricardo Branco

Está no cinema o filme que finalmente traz de volta Johnny Depp com a cara limpa, sem maquiagem de Drag Queen e seus trejeitos de bêbado louco. O ator interpreta um cientista que, com a eminência de sua morte, transfere sua mente para uma Inteligência Artificial, possibilitanto o acesso a tudo e a todos ao mesmo tempo, além de desenvolver tecnologias com uma rapidez nunca antes vista.

 

Do início ao fim são abordadas filosofias e debates acerca da tecnologia e seus prós/contras. O tema “o homem brincando de Deus” é a discussão central: por um lado, os extremistas/terroristas combatem essa prática, tentando impedi-la; por outro, o personagem vivido por Depp busca desesperadamente, sonhando que suas descobertas tecnológicas consigam colocá-lo no patamar de Deus.

 

Apesar de um pouco lento (acelerando somente no último ato), o filme é uma ótima pedida para quem quer pensar como seria se a imortalidade fosse possível. Acredito que essa era a proposta do diretor Wally Pfister e do roteirista Jack Paglen (ambos trabalharam com o produtor executivo Christopher Nolan em outros filmes).

 

Pra quem gosta de Ficção Cientifica, esse filme é recheado de explicações sobre o que esta acontecendo, mas os fãs de um Drama também estão bem servidos: as discussões levantadas garantem grande carga dramática ao filme. As atuações, tanto de Johnny Depp quanto de Morgan Freeman, estão boas, mas nada demais. Existe um pouco de ação na terceira parte do filme e alguns efeitos especiais muito bem feitos, mas você deve ir esperando ver um filme cerebral, que te faz pensar, tanto na já citada discussão da Tecnologia x Deus, quanto no questionamento “o que é o sentimento humano, o amor e amizade? Pode ser passado e reproduzido por uma maquina? O ser humano pode brincar de Deus sem consequências? A natureza é segundo plano no projeto de desenvolvimento tecnológico?”. Essas e outras questões são levantadas no filme e são apresentadas diferentes respostas. Cabe à você escolher a sua e levar o final pra casa, o que é algo que gosto em filmes assim.

 

– Vale o Ingresso (Se você embarcar na ideia e nas discussões do filme, se não, fica pra ver um dia quando tiver nessa sintonia, e escolhe a sala do lado que tem explosões do começo ao fim)

– Rolando o dado: saiu 12 no d20, faltou mais atuação e um roteiro mais solto e atrativo a qualquer público, mas se você entrar na ideia, gostar de filmes cerebrais e embarcar na discussão, acrescente um d8, pois te faz pensar.