CineTevê – Série: Californication

por Ricardo Branco

 

Depois de emplacar um imenso sucesso sendo Fox Mulder na série Arquivo X, David Duchovny estreiava em 2007 uma série sobre um escritor famoso que passa por um bloqueio criativo, acaba de perder o amor da sua vida, e tem problemas sérios com a sua filha, com o dinheiro e com o sexo feminino. A série se torna um sucesso que chegou ao seu final esse ano na sétima temporada.

A primeira temporada estreia com um grande público, ousada, mostrando e discutindo assuntos polêmicos. David atinge o seu auge e atua de forma primorosa, deixando o seus trejeitos e manias na cabeça dos fãs, loucos para ver a segunda temporada. A expectativa veio, principalmente, depois de ver Hank Mody (D. Duchovny) só fazer “merda” na sua vida e ficar cada vez mais longe do seu objetivo, pelo menos até o bombástico episodio final!

A segunda temporada sofre um atraso, por causa de algo curioso: o ator percebe que é ninfomaníaco e procura tratamento, culpando as diversas cenas de sexo da série. Após se sentir confortável e bem com isso, volta às gravações e nos dá talvez a melhor temporada de todas as sete. Apresentando atuação e roteiro excepcionais, a trama joga Hank mais na lama e nas suas próprias “cagadas”, enterrando o personagem em situações provocadas por ele mesmo e pelo destino. Ainda assim, situações em que qualquer pessoa poderia ter feito o mesmo que ele.

A série segue com a audiência estável, mantendo os fãs sempre ligados, temporada após temporada. Mostrando uma “comédia romântica” incomum, pessoas com um estilo de vida bem diferentes do que costumamos ver em filmes ou outras séries. Acompanhamos adultos com problemas de adultos, com crises de idade, com infantilidades e dilemas de pessoas mais velhas. Isso deixava a série muito mais interessante do que qualquer outra que já vi, instigando eu imaginar o que faria se estivesse no lugar daquelas pessoas.

No decorrer da série, vimos Mody se afundar cada vez mais, levar outras pessoas e amigos com ele nisso, num ciclo de se reerguer, tentar de novo, só para voltar a estragar tudo ao bom estilo Hank Mody de ser. Você pode até pensar que isso seria uma repetição chata, cansativa de uma série que sempre chegava ao mesmo lugar, certo? Muito pelo contrário, meu amigo. Talvez por ser curta (cerca de 12 episódios de 25 minutos por temporada) ou por ter ótimos atores envolvidos com o projeto, o dinamismo era mantido e os roteiros sempre nos davam algo a mais, impedindo que a história se tornasse monótona.

Na quarta temporada começou a se falar de um fim, que poderia mesmo ter acontecido na quinta temporada, pois este episodio final foi o melhor episódio da série! Massssss, não acabou ali. Infelizmente, foram assinadas mais duas temporadas e aí sim encerrariam. E foram 2 temporadas de enrolação, salvo uns poucos episódios bons, porém com a sensação de que não sabiam para onde ir. Até que a última temporada nos  apresenta um fim sem coragem, um fim comum, clichê… Pelo ótimo começo, Californication merecia mais do que isso.

Se você nunca viu, veja. Se você viu, sabe que é uma das melhores séries sobre a vida de um homem já feita, mesmo com o final decepcionante. Vale a pena assistí-la pelos episódios divertidos, intrigantes, tristes e sensuais. Vai deixar muita saudades não acompanhar a vida de Hank Mody e seus conhecidos e familiares.

 

– Vale a pena ver e comprar o box.

 

– Rolando o dado: Mesmo com seu fim em baixa (que não ficaria abaixo de 16), tenho que dar um 20 no d20 com certeza, foram 72 episódios que valem a pena cada minuto.