Ranked Match: Gunpoint




Film Noir. Uma temática popular no cinema produzido nos anos da grande depressão – especialmente nos anos 40 – que retratava de forma fria e pessimista a sociedade norte-americana e o comportamento humano em geral. Seus protagonistas eram geralmente homens sem esperança, frios e solitários envolvidos em monólogos depressivos em sua busca por fazer algo de bom por si, ou por alguém que requisite sua ajuda. Sua produção cinematográfica refletia esse clima com o uso de sombras a ênfase no preto.

O Noir é certamente uma temática interessante para ser usada em jogos, mas que dificilmente é realmente explorada, ou explorada corretamente. Provavelmente o único jogo grande jogo que vem à mente é o famoso, mas não muito bom L.A Noire que usa a temática mas se perde dela no meio do caminho.

E aí vem Gunpoint.

Gunpoint não é exatamente um jogo novo, e certamente não teve nem uma mínima parte do sucesso que L.A Noir teve, mas é um experimento com a ideia do Noir que consegue se manter fiel a proposta, mesmo com um pequeno twist: Gunpoint é um Noir futurista.

Você assume o papel de Richard Conway, um espião independente que aceita qualquer negócio, desde que seja justamente remunerado. O jogo se inicia com Richard envolvido em um homicídio, com as missões que seguem envolvendo a busca por sua inocência ao mesmo tempo em que caça verdadeiro culpado. Mas o jogo não se limita a essa história, e o jogador vai sendo apresentado a missões paralelas com seus próprios enredos, e pode agir como um agente duplo que pode decidir quem vai ser ajudado ou prejudicado por suas ações.

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O jogador recebe as missões via telecomunicador, e conversa com os contratantes tomando decisões sobre o enredo nesse momento. Os diálogos são muito bons e possuem um humor típico de um detetive particular.

Até agora, nada de novo. Mas quem acompanha essa coluna (que não preza pela pontualidade dos textos infelizmente) sabe que os jogos aqui apresentados possuíam elementos diferenciados e com Gunpoint não é diferente. Primeiramente, o jogo explora o elemento do pulo. Sendo um sidescroller o pulo é um elemento fundamental para a invasão sorrateira dos prédios onde Richard precisa hackear computadores nas mais diversas missões. O detetive pode dar grandes pulos atingindo andares superiores, além de conseguir grudar-se em paredes para um melhor deslocamento, e também para se esconder de guardas.

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Richard pode saltar grandes distancias e atordoar guardas com seus pulos.

 Apesar de os pulos e a movimentação do personagem serem elementos interessantes , essa nem de longe é a mecânica mais divertida do jogo: Richard pode hackear redes elétricas e de segurança à distância modificando a função de botões na parede e de diversos sistemas de segurança que vão sendo adicionados a medida que o jogador progride: câmeras, sensores de movimento, alçapões, portas que requerem identificação especial para funcionar e assim por diante. A cada missão bem sucedida o jogador pode comprar upgrades para suas bugigangas e melhorar seus pulos.

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Posteriormente o jogo adiciona diferentes sistemas que precisam ser ativados antes de serem hackeáveis.

O elemento de hack no jogo adiciona uma camada praticamente infinita de possibilidades, e explora a criatividade dos jogadores na maneira de resolver as fases. Além disso, o jogo faz um excelente trabalho em adicionar desafios razoáveis em relação aos upgrades, Richard se torna um detetive melhor a cada novidade, mas nunca é poderoso demais, até por que basta um tiro para que ele morra. E nisso o jogo acerta também: apesar de um tiro ser o suficiente para encerrar a missão o jogador pode optar por voltar poucos segundos antes de erro e se recuperar. Não é uma questão de ser um desafio completo com perfeição, o desafio está em cada mini-quebra-cabeça que o jogo apresenta de forma extremamente inteligente.

Bem, depois de tanto explicar sobre o jogo, vale a pena citar que ele possui bons visuais. Um pixel art simpático que não salta aos olhos, mas que cumpre o papel muito bem. Ele não abusa dos elementos visuais do Noir deixando esses aspectos mais na construção dos personagens e do enredo. A trilha sonora é incrível! Um Smooth Jazz que coloca o jogador no clima perfeitamente.

Enfim, Gunpoint é uma experiência totalmente particular, divertida e empolgante e conta com a possibilidade de modificações via Steamworks que adicionam ainda mais conteúdo a um jogo já variado tornando-o um verdadeiro parque de diversões. Altamente recomendado aos fãs de Stealth e filmes Noir.

Gunpoint está disponível na Steam e custa R$16,99.

Ps: Eu sei que demorei para postar. Este está sendo um longo semestre e as vezes é difícil sentar e escrever (especialmente quando eu já estava fazendo isso por horas a fio) mas eu não pretendo abandonar essa coluna. Ao contrário. Pretendo me organizar para respeitá-la e quem sabe aumentar minhas postagens. Existem muitos jogos sobre os quais eu gostaria de falar e compartilhar experiências com vocês, leitores. Também aceito indicações! Comentem sobre os jogos que vocês têm jogado e jogos que vocês acreditam merecer estar aqui no Ranked Match! Abraço!