EM PAUTA – Eu sou a mosca que…




Insetos voadores (ou não) circulam por um ambiente mal iluminado de encanamento à vista. Uma mosca voa na tentativa de sobreviver, mostrando-nos sua ótica sobre a bruteza do espaço. Baratas, ácaros e suas tias aranhas também dão o ar da graça enquanto cinco malucos, indiferentes a estes micro-representantes da fauna do submundo, mandam um som pesado sob kilt e macacões de encanador de praxe. Efeitos de treme tela contribui no abrutamento do clima…

Nunca fui super fã de Korn, mas esta foi uma das bandas que mais marcaram minha juventude, devido à Kornlover resultante de uma noite de traquinagens entre meus pais enquanto eu dormia. Conheço, aliás, toda a discografia do grupo californiano até 2005, um dos precursores do estilo New Metal juntamente a Deftones, segundo os entendidos. E daí surgiram Limp Bizkit, Slipknot, Linkin Park, Disturbed e Cia., uma nova onda de híbridos que, cabendo ou não no novo compartimento musical, passaram a representar o rock internacional no final da década de 90. Mesclando diversos subgêneros do metal ao hip hop ou rap, o estilo entra para os top 10 MTV e para a minha vida.

Numa época em que festejávamos o “completed” do Kasaa após infinitas horas de download, a saída era juntar uns “merréis” (os fortes entenderão) e comprar os CDs que agora jazem empoeirados na estante, mas que um dia serão vintage e deixarão meus possíveis netos ricos, com a graça do Senhor! Filiei-me ao Limp Bizkit, que está entre tantos outros neste legado que mantenho no meu quarto. E hoje decidi revolver essa memória auditiva através de ferramentas que a Chineza teen não possuía: TV de LED conectada à internet via Wi-Fi com acesso ao YOUTUBE. New Metal trazendo nostalgicamente as sensações de outrora por meios contemporâneos, no conforto da minha sala.

Assim reapareceu-me “Somebody Someone”, single do Korn cujo clipe foi apresentado aqui na introdução, e que possui um apelo agressivo se nos atermos ao ritmo e à produção audiovisual. Mas aí resolvi prestar atenção à letra, coisa que eu não fazia antigamente: “Eu preciso de algum alguém/ Alguém pode me ajudar?/ Tudo que eu preciso é ser, amado apenas por mim.” e mais adiante: “Eu estou chorando, estou fritando em uma pilha de merda/ Estou morrendo, estou morrendo, estou morrendo!”. Choremos junto… de decepção. Vejo que o emocore sempre existiu, mas lamentava a sua insignificância diante de um Universo de 100 bilhões de galáxias num bate-cabeça acompanhado de um som de guitarra com distorções graves e cheias de ruído. Pobre mosca. Ela morre no final.

– Harumi